Xô xuá
Na caminhada presto atenção em tudo;
Não digo a ninguém quem sou.
É a melhor fantasia para quem nasceu exposto.
Enganar-se é um conforto humano.
Nada é fixo e tudo está em transformação: já ouvisse essa mentira descarada? eu já!
Quem dera tudo tivesse mudando, e vou falar de gente, tem gente que não muda.
Aliás, vou falar de caráter: tu já viu alguém com?
Já visse mudar?
É possível?!
Na caminhada eu presto atenção a tudo,
não digo quem sou porquê nasci exposto.
E o redundante é negligenciado.
De negligência exausto.
Linhas eu só as traço fora das curvas.
Que predisposição maldita!
E então exposto, admirado, invejado.
Mas quem sou: eu não digo.
Finjo que finjo.
E também não há pergunta para que eu então me diga.
Sabe porquê? Eu nasci exposto,
Está claro pra onde vou.
Não digo mais nada.
Perdi as pernas, as garras.
Repouso no vento....
Depois 'do tudo': por hora sou asas.


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