Medo
Amar é ter medo.
Não tem como amar sem ter medo, pois no amor encontramos algo de nós no outro. E quem quer perder-se?
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"E quem tem, tem medo". Não é assim que se fala?
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Se há amor implicitamente temos medo, andam juntos.
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Bem, desde que NÃO seja um medio paralisante... que NÃO nos inviabilize... NÃO nos faça recuar do encontro com o outro, na fantasia de não depender do outro. --- O que ocorre com muita frequência, né?
Esse medo não é sobre dependência; e sim zelo, receio de perder algo de si que encontramos no outro.
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E sim, é uma situação difícil!
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Silenciar o medo é um caminho impossível, devemos diminuir o volume. Ajuste sua frequência!
É necessário, pois se ficarmos muito atentos aos medos, a vida vira um caos, torna-se paralisante, nos isolamos; não tem como ter uma vida significativa assim.
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Em algum momento vamos perder o outro; vamos nos perder. Precisar de manutenção. Findar.
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No limite da coisa isso diz respeito a finitude do amor, das pessoas, da vida.
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O auto cuidado exige não viver pelo medo, em estado de alerta.
Isso é incompatível com alegria de viver!
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É preciso dar atenção à impermanência, mas de forma que possamos desfrutar da vida, mesmo ciente de sua impermanência.
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É sobre equilíbrio, pois a falta dele nos levará a um rotina incapacitante, ou "se eu não sei de nada" vou me colocar situações perigosas; não levantar da cama pois tenho todo o tempo do mundo.
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Atente: é preciso dosar o amor que se sente.
Valorizar os atos de amor que nos transbordam, por sentir amor;
E/ou aceitar,
aprender receber atos de amor do outro que de alguma maneira encontrou em você algo próprio dele.
Que só pode existir em você.


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