O brinde rouge!
Subiu na mesa sem ajuda de ninguém, em salto e supetão, até música parou, quiçá quem ouvira e ouvirá; mãos vazias apontou para o bar onde tudo silenciosamente por este momento aguardava sem sequer saber que haveria. a vida engenhosa. subiu na mesa como se pudera subir em si:
- alguns brindes!!! --- um brinde a tudo que foi, que já não acontece. e este por ser o primeiro derrubemos ao chão. e todos acompanharam esvaziando seus copos derramando em direção a Terra.
e um outro brinde, espumante como estou, a tudo que acontece no agora e está por acontecer no já.
um brinde a todas as cadeiras, sofás, banco de casa e de carro que tem feito sentir-me em casa, ainda que estranhe; e este mesmo brinde às camas que tenho deitado e me feito viril novamente, e novamente descansado. um brinde! --- espumando, alguns não beberam, enquanto outros pediam: mais!
brindemos às pessoas que chegaram dando pitacos amados que hora doeram, (mas qual choque cardíaco não dói, queima e faz viver? não é mesmo?) brindaram às novas queimaduras.
levantou os dois braços como um ganso levanta as asas: outro, outro, agora outro brinde este com licor a seus gostos, meu toque de pimenta e gyn: às falas doces, quentes e purificadas que de minha boca saem, saem e saem. Vamos, bebam!
a mim, especialmente a mim, um brinde com kisuco que homenageia meu paladar infantil, como ainda permanece meus poucos sonhos e muita disposição de primeira infância.
não liguem pra indigestão, vamos, bebam! bebam!
por fim, pois alguns bêbados outros fingindo os vejo; um último brinde com alcatrão a meus amores de hoje, e que virão, escolha você o acompanhamento e viraremos-o! em três, dois, um...
Estava aberto o Baile de Máscaras ao Chão!
(Quadro: Baile de moulin-rouge, 1890 - Henri de Toulese-Lautrec)


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