domingo, maio 31, 2026

Self-Print²

 


IMAGEM. 

PRINT.

GRAVURA.

LISURA. 

PENTAGONO.

AO CUBO... culpa²

Xô xuá


Na caminhada presto atenção em tudo;

Não digo a ninguém quem sou.

É a melhor fantasia para quem nasceu exposto.

Enganar-se é um conforto humano.


Nada é fixo e tudo está em transformação: já ouvisse essa mentira descarada? eu já!

Quem dera tudo  tivesse mudando,  e vou falar de gente, tem gente que não muda.

Aliás, vou falar de caráter: tu já viu alguém com? 

Já visse mudar?

É possível?! 


Na caminhada eu presto atenção a tudo, 

não digo quem sou porquê nasci exposto.

E o redundante é negligenciado.

De negligência exausto.


Linhas eu só as traço fora das curvas.

Que predisposição maldita!

E então exposto, admirado, invejado.

Mas quem sou: eu não digo.

Finjo que finjo.

E também não há pergunta para que eu então me diga.

Sabe porquê? Eu nasci exposto,

Está claro pra onde vou.


Não digo mais nada.

Perdi as pernas, as garras.

Repouso no vento.... 

Depois 'do tudo': por hora sou asas.


quinta-feira, abril 30, 2026

Convite a uma reflexão


O que, sincera e definitivamente, é a vida: um apanhado de acontecimentos aleatórios (ou não) em que somos agentes (ou não), que completa “o todo”?

Uma caminhada devant sem saber onde ir?

Será a busca pelo máximo acúmulo de boas sucessões?


Ou a realização do que nem sabemos o quê, e dizemos: “vida!”?

O que a compõe? Onde começa? Onde finda?

O amor é a realização concreta e de sucesso da vida?


Quero falar do amor.

O amor é o ridículo da vida!


Procuramos nele pureza impossível, como se apenas assim fosse “valer a pena a vida” e todos os caminhos trilhados até aqui; uma pureza que está sempre se opondo, e nunca a alcançamos.


Vou te dizer:

A vida veio, me matou e me levou com ela.


Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas.


Amor é o ridículo da vida!

Vida é a única coisa que tenho.


Maio/2016 - por Dave Carvalho

terça-feira, abril 07, 2026

Desista de mim


Desconheço o tal "fio da meada".

No entanto muito da cruz e a espada.

Moro no olho do redemoinho:

É no problema que encontro solução.

Existo entre a morte e a vida:

charada barata ou enigmático mistério?

Trago veneno nas veias e artérias,

há veneno na linfa, na mente,

há veneno em minha língua.

Mas porquê sei que é cura

para todas as nossas feridas. 

Quem sou eu?

.

Ninguém decifra.

Quem tenta contempla

até que se perde.

Enrijece como quem viu Medusa:

duros, agarrados nos achismos.

Há algo não sabido:

Eu tenho o amanhecer!

acha ser mais um enigma?

Esse é mistério.

Quem sou eu?...

Desista, 

eu escapulo!

Vestígios

Escrevo hoje, quase ao término do dia, num cenário atípico: recordações que se transformaram em ricas memórias. Vivi-as intensamente e, desta vez, estranhei ao perceber meu próprio controle sobre essa intensidade.


A mais recente dessas lembranças surgiu há pouco, ao deparar-me com a captura de tela de uma antiga postagem, arquivada. Nela, discorri sobre intimidade, maturidade e a importância do tempo e da disposição para manter uma relação viva e saudável...


O que me surpreendeu foi o desfecho, uma 'declaração de amor', na qual eu disse: 'Eu te amo tanto, e ainda nem é tudo'.


Vrummm...


Fui arrastado para a consciência atualizada e fiquei um tanto perplexo ao constatar a obsolescência dessa declaração. Quando a escrevi, fui visceral, mas também incrédulo, acreditando que minha capacidade de amar aquela pessoa era inesgotável...


Parecia tão bonito na época, mas não é.


Olhando em retrospecto, reconheço minha submissão, negando meus próprios limites, enfim...


O resumo desta reflexão é que 'amei tudo' contrariando o que disse lá... Não achei que seria capaz. --- MAS O AUGE é que esgotei aquela experiência, e me sinto 100% cheio de amor. Estou vivo.


Como diz @potyguarabardo : "No varal do deserto EU AINDA ESTENDO AMOR PARA DAR"!

Após essa constatação,... Com tudo o que se passou neste dia, vou nessa dormir serenamente.




segunda-feira, outubro 27, 2025

O BÚFALO NA TOCAIA

 


O BÚFALO NA TOCAIA


​Por mais antílope _(animal, leve e ágil de natureza alerta sem descanso)_  que eu poderei quem sabe ser... tudo o que eu sei na minha fragilidade desse cenário... é que eu não passo de búfalo à espreita. 


​E não há anúncio de perigo, cuidado ou autopromoção nisso.

​Ser o que viemos a ser não é escolha.


​Anseio ser antílope, borboleta, ou fungo, algo que seja ágil ou que se transforme sem precisar anular a fragilidade para então existir.


​Estou querendo o fim da tocaia de minha mente inquieta?


​Certamente esta seja a máxima que atingirei pelos próximos tempos: na tocaia só há pensamento e alerta... alerta... alerta.


Sempre búfalo, alerta.!

N''água!

À espreita... 


​Não sei bem o que quero dizer... 

ou sei-o tão bem que dizer seria autoconfissão ou autocondenação...


Aí ó, o deux, há de ter algo bom para esta angustiante e apaixonante epifania...


​Enquanto o mundo diz que: "para tudo há esperança"; eu procuro no fluxo do pensamento um reencontro tal qual a boca da cobra anseia morder o próprio rabo...


até que alguma outra forma, quem sabe, livre de pensamentos, me seja apresentada.


​Angústia é sempre um sentimento que não conseguimos nomear!


​Penso no fluxo porque não me cabe a fala.

Não me cabe a súplica.

Não me cabe a escrita.

Não me cabe pedir.

Não me cabe procurar.

Não cabe a fuga dessa coisa-hoje... 


​E se você me perguntar: por que não cabe?

A única resposta que eu tenho é: eu não me caibo!


​Não há "eu escrevo", só existe o pensamento que antecede a existência... 

Eu penso e dói. 


​Registro tudo!

Não para leitores de mim. 

Morreram ou estão no momento-já nascendo? 


​O fluxo de consciência tornou-se um fluxo difícil para a linguagem atual, e eu me sinto uma pessoa imprópria...

.... autoincompreensível...


Por vezes sequer eu mesmo me suporto em silêncio e pseudo-autoconfissão, como faço agora... Non mihi sufficio!



​É expurgo. 

Como reza repetida: a única maneira de colocar para fora (?) o que está aqui em meu estado indizível: há esse mar de sentimento...


Natal, 27/out/2025 (aproximadamente 5h me organizar textual acima).

(imagem: saúde mental, depressão e arte abstrata de Getty Images) 

quinta-feira, abril 17, 2025

Não tenho pena


 Ai daquele que brinca com o que sobra, terá as mãos cheias de cinzas.

O que brinca com fogo terá a insônia como afeição. 

Ai dele também. 

Ai daquele que no início de uma queda se deixar largar e cair, lhe soprarão a carne viva.

O que muito e muito fala será ouvido pelos gemidos. 

Ai daquele que tudo quer ver numa intensidade monstruosa, esse acabará sem cor, gosto, oco, coberto de pó de osso e frio como o azul. 

Ai daquele que nega a vibração das cores, os acontecimentos da vida e as surpresas das paixões; acabará por nada ver, de tanto que quer ver, acabará sem sentir, de tanto que quer viver acaba só por espiar. 

Aquele que não pôr um sorriso no rosto a cada final do dia - aí  dele também! - Esse acabou-se, apenas perambula brincando de existir.

sábado, março 08, 2025

Esquizofrenize

 

Na caminhada de costume empresto atenção a tudo.

Não digo a ninguém quem sou.

É a melhor fantasia para quem nasceu exposto.


Enganar-se é o conforto humano.

...


Se a pessoa tiver coragem de largar os sentimentos, descobrirá que criou uma vida extremamente silenciosa e vazia de humanidade, como a vida dos astros, ou de uma galinha.



Estou em pensamento fluido.

Essa é a única linha segura no momento.

Fluidamente também se aproxima a loucura rígida;

Sou sensível a qualquer coisa fluida e louca.

Ah, preciso explicar:

Estou falando da loucura por senti-la mais rente a mim que antes...




É que agora ela me pede ajuda.

É que ela não quer surtar, e a única forma de ajudá-la é dizer que eu a entendo.

Então loucamente ela se acalma.



Quanto a mim, quem entende?




Dave Carvalho

19/Ago/21

01h18m

no spotify "the scent of love", adágio, piano, de Michael Nyman.

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quarta-feira, julho 31, 2024

Medo


 Amar é ter medo.

Não tem como amar sem ter medo, pois no amor encontramos algo de nós no outro. E quem quer perder-se?

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"E quem tem, tem medo". Não é assim que se fala?

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Se há amor implicitamente temos medo, andam juntos.

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Bem, desde que NÃO seja um medio paralisante... que NÃO nos inviabilize... NÃO nos faça recuar do encontro com o outro, na fantasia de não depender do outro. --- O que ocorre com muita frequência, né?


Esse medo não é sobre dependência; e sim zelo, receio de perder algo de si que encontramos no outro.

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E sim, é uma situação difícil!

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Silenciar o medo é um caminho impossível, devemos diminuir o volume. Ajuste sua frequência!

É necessário, pois se ficarmos muito atentos aos medos, a vida vira um caos, torna-se paralisante, nos isolamos; não tem como ter uma vida significativa assim.

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Em algum momento vamos perder o outro; vamos nos perder. Precisar de manutenção. Findar. 

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No limite da coisa isso diz respeito a finitude do amor, das pessoas, da vida.

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O auto cuidado exige não viver pelo medo, em estado de alerta.

Isso é incompatível com alegria de viver!

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É preciso dar atenção à impermanência, mas de forma que possamos desfrutar da vida, mesmo ciente de sua impermanência.

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É sobre equilíbrio, pois a falta dele nos levará a um rotina incapacitante, ou "se eu não sei de nada" vou me colocar situações perigosas; não levantar da cama pois tenho todo o tempo do mundo.

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Atente: é preciso dosar o amor que se sente.

Valorizar os atos de amor que nos transbordam, por sentir amor;

E/ou aceitar,

aprender receber atos de amor do outro que de alguma maneira encontrou em você algo próprio dele.

Que só pode existir em você.