Não tenho pena
Ai daquele que brinca com o que sobra, terá as mãos cheias de cinzas.
O que brinca com fogo terá a insônia como afeição.
Ai dele também.
Ai daquele que no início de uma queda se deixar largar e cair, lhe soprarão a carne viva.
O que muito e muito fala será ouvido pelos gemidos.
Ai daquele que tudo quer ver numa intensidade monstruosa, esse acabará sem cor, gosto, oco, coberto de pó de osso e frio como o azul.
Ai daquele que nega a vibração das cores, os acontecimentos da vida e as surpresas das paixões; acabará por nada ver, de tanto que quer ver, acabará sem sentir, de tanto que quer viver acaba só por espiar.
Aquele que não pôr um sorriso no rosto a cada final do dia - aí dele também! - Esse acabou-se, apenas perambula brincando de existir.


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