quinta-feira, abril 17, 2025

Não tenho pena


 Ai daquele que brinca com o que sobra, terá as mãos cheias de cinzas.

O que brinca com fogo terá a insônia como afeição. 

Ai dele também. 

Ai daquele que no início de uma queda se deixar largar e cair, lhe soprarão a carne viva.

O que muito e muito fala será ouvido pelos gemidos. 

Ai daquele que tudo quer ver numa intensidade monstruosa, esse acabará sem cor, gosto, oco, coberto de pó de osso e frio como o azul. 

Ai daquele que nega a vibração das cores, os acontecimentos da vida e as surpresas das paixões; acabará por nada ver, de tanto que quer ver, acabará sem sentir, de tanto que quer viver acaba só por espiar. 

Aquele que não pôr um sorriso no rosto a cada final do dia - aí  dele também! - Esse acabou-se, apenas perambula brincando de existir.