Subestimado
Sim, preciso comunicar que, em não fechei as portas e janelas.
Que entrem os passarinhos na casa abandonada batendo suas asas.
Na sala que eles rasguem o sofá, companheiro de espera, que o destruam com suas bicadas.
Revelem a espuma sob o tecido. Toda sujeira por baixo.
Tomara que acerte o quarto e façam ninhos entre o entulho que não toquei.
Entram no que era meu quarto e usam da cama ainda quente e desarrumada.
Se escondam onde acharem espaço.
Nos vãos, que entrem os pássaros e vasculhem os manuscritos que permanecem cheio de pedidos de ajuda.
Que levem meus escritos, como pombos-correio.
Rascunhos de lixo!
Que entrem os pássaros e transformem em caos a vida doentia, assistida por você sem piscar, agora por mim deixada pra trás.


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