Jesuína
Tchuzunk... Tchuzunk... Tchuzunk...
Era o que ela de ouvidos recostados no canto da parede fria do seu quarto ouvia.
Tchum-tchum... Tchum-tchum...
É o que no coração sentia.
“Eu” é o que sua boca dizia, só pelo fato do som ouvido na parede não lembrar um “tu”.
Era som de ventos-de-gritos. Algo dizia no tchum-tchum que nascera, mas fora ofuscada. E que só assim seria pessoa. Sem porquê sentia que ali recostada ela si era, só ali. --- Sorriu porque não sentia medo algum.
Pessoas nascidas ofuscadas eram feias, mas ela gostava de coisas feias, de pessoas feias. Não havia fórmula para se nascer ofuscada.
Atrás do pensamento ela atingia um estado em transe.
--- Estava recostada num banco de praça com o ouvido no mundo, sem pensar ouvia o grito-dos-humanos, que é pura secreção intro-externa.
Sabia que algo acontecia com mundo em que vivia. Mas ouvia os harmoniosos suplícios. Naquele momento viu que uma cega recostada num semáforo cantava:
“Meu senhor que vai passando
Filho da Virgem Maria
Coração abençoado
Que enxerga a luz do dia
Uma esmola estou pedindo
Peço por Santa Luzia
Se eu tivesse a minha vista
Ai, ai...
Esmola eu não pedia.”
Sentiu o coração gélido, não sabia também o porquê. Não sabia saber nada. Só sabia que se encontrava com o mesmo bater de tchum-tchum, a mesma gelidez e a mesma posição da velha pobre cega. Só não pedia esmola. Mas era rica de sensações intro-externas.
Era o que ela de ouvidos recostados no canto da parede fria do seu quarto ouvia.
Tchum-tchum... Tchum-tchum...
É o que no coração sentia.
“Eu” é o que sua boca dizia, só pelo fato do som ouvido na parede não lembrar um “tu”.
Era som de ventos-de-gritos. Algo dizia no tchum-tchum que nascera, mas fora ofuscada. E que só assim seria pessoa. Sem porquê sentia que ali recostada ela si era, só ali. --- Sorriu porque não sentia medo algum.
Pessoas nascidas ofuscadas eram feias, mas ela gostava de coisas feias, de pessoas feias. Não havia fórmula para se nascer ofuscada.
Atrás do pensamento ela atingia um estado em transe.
--- Estava recostada num banco de praça com o ouvido no mundo, sem pensar ouvia o grito-dos-humanos, que é pura secreção intro-externa.
Sabia que algo acontecia com mundo em que vivia. Mas ouvia os harmoniosos suplícios. Naquele momento viu que uma cega recostada num semáforo cantava:
“Meu senhor que vai passando
Filho da Virgem Maria
Coração abençoado
Que enxerga a luz do dia
Uma esmola estou pedindo
Peço por Santa Luzia
Se eu tivesse a minha vista
Ai, ai...
Esmola eu não pedia.”
Sentiu o coração gélido, não sabia também o porquê. Não sabia saber nada. Só sabia que se encontrava com o mesmo bater de tchum-tchum, a mesma gelidez e a mesma posição da velha pobre cega. Só não pedia esmola. Mas era rica de sensações intro-externas.

2 Comments:
que legal esse texto, gostei. esse tipo que coisa que é mais insinuaçao do que palavra, mais gesto do que som, me agrada. o obscuro, muito bom.
luisandro poemeus.zip.net
agora to escrevendo todo dia. mesmo com pouco tempo, vamos ver o que que dá. passa lá. abraço. luisandro poemeus.zip.net
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