terça-feira, maio 10, 2005

Cinza de peito calado

Dia cinza de peito calado;
Coração batendo muito, muito pouco acelerado.
Respiração caindo, bem devagar.
Todo o sacrifío esculachado, espalhado no chão.
Peito estufado muito, muito pouco parado.
O amor evasivo, em vão.
O dia cinza, mudo, calado;
A humildade falando forte no coração.
O amor arrebentando os esculachos;
Deixando-me espalhado, sem razão.
Tarde longa pouco, pouco calado.
Peito aqui ainda estufado,
Cada vez mais calado, estilhaçado,
Esculachado e deixado no chão.
Anjos habitados, poucos, muito pouco revelados.
Sabedoria arrebentando o fino couro do coração.
Meu gosto aqui calado, esfumaçado,
Estilhaçado e espalhado sem razão.
O espetáculo começado e terminando,
Deixando o resto do cinza,
No suor grosso e frio,
Que tem cada vez menos emoção.
Palhaços encenados, pintados,
Vaiados, espirrados, sem graça e cheio de confusão.
Dia cinza de peito calado
Coração batendo muito pouco: espirrado;
Respiração caindo, bem devagar: parado.
Do peito deitado, deixado: todo o sacrifío em vão.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Você heim?sempre me dando tapas sem mão...obrigada por escrever SEMPRE coisas tão lindas...te amo!
JOana

10:13 AM  

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