domingo, março 06, 2005

Diário de um G... (Escrito em 20-05-2004)

"Esse amor de que te falo sempre, chega ser tão grande que não me cabe. Não cabe em mim. É tão puro que eu não consigo reproduzir. Esse amor que te dou sem que tu saibas. Esse amor que tu desfrutas mesmo sem saber. Esse amor é com limites: mas esses limites eu ainda não conheço. E não sei se quero conhecer. Te amar é o que me faz, não homem, mas gente de bem. Amar é o meu próprio líquido vivificador. Eu amo cada momento que passo longe de ti, porque sei que não é em vão, todo esse tempo é uma... preparação? Te amo e nunca mais me direi isto. --- A idéia de pessoa compromissada já não se faz em mim. --- Talvez ser sozinho incomode um pouco. Sou só: eu e meu relato. E existe pessoas que se incomodam. --- Minha única certeza era que nos pertencíamos, e no entanto até ela fugiu: quem sabe me abandonou. --- Esse momento de dormir é tão importante, e tão meu. Só esse momento é o que na verdade me pertence. Hoje vou dormir desejando sonhar com você; mas algo bom. Lembro da realidade que cada sonho trás consigo. De manhã eu acordo e te olho, e agora esse momento já passou. Momentos de esperas são tão meus, sei conviver com eles. Não sei se estou te esperando, ou se estou esperando a mim. Sei que essa espera é eterna. O momento de se achar é uma tal entrega. No desespero fico muito vulnerável à meus sentimentos. Sou fraco, e os instintos gritam com uma liberdade. Eles dizem: "Grite." E não obedeço. Eles repetem: "Grite." Mas não consigo. Eu não sei gritar, lamentar é minha vocação mas gritar não. Eu não sei. --- E nessa hora eu grito tão alto e internamente que meus instintos escutam meus apelos e se fazem mais forte. Eles escutam mais meus ouvidos, que é quem dá ordem a mim, não ouvem: esse grito precisa ser externo, e baixo para que meus ouvidos atentos escutem. --- E continuo a bater minha cabeça na parede, suo, limpo, giro e caiu. Na rotina? No real? Sou vários pedaços que se mexem em perfeita ordem simétrica. Tento sair e: não consigo. Me desespero, mas de nada adianta; a única forma é me acomodar. Nesse momento sou isso: alguém querendo se achar no mundo, se desprender dele. Sou a própria indecisão. Te olho, rodeio, penso, troco, acaricio, me assusto e volto a te amar. --- Quem sou eu? Esse pedaço de... Sou isso que te ama e te quer. Sou estar aqui sentado tentando gritar externamente e não consigo. Essa confusão me assusta. Me inconho e fico mais baixo que o chão, eu me sinto nojento, humilhado, pedaço de carne sem valor tentando se vender a qualquer preço, isso: eu mesmo não tenho preço. Choro sem vergonha. Meu choro eu sei que é externo e molha esse instante que eu me acho. --- E se eu te tocasse o que poderia me acontecer? Eu amaria mais ainda, e sentiria o líquido subir até mim, até minha cabeça. E jorraria como uma fonte oculta. Eu seria todo oculto. E te faria oculto também. Chego a loucura mais profunda de mim, chego a querer cair e não consigo. Um desequilíbrio muito bom de ser sentido. Você me ler tão mudo. Fala alguma coisa! Fala que também me ama, mas que não pode dizer. Eu entenderei. Meu amor te fez isso: alguém como te vejo hoje. --- A simples idéia de te ter já fazia de mim alguém completo e estável. Suando entre as pernas e tomando um ar de sensualidade. Minha pele já ficava brilhosa: eram os hormônios me denunciando em suor, que é o líquido mais puro e humano. Sou seu plenamente. Sou seu simplesmente. Sou todo seu. E tu és todo meu, mesmo sem tu me dá: és todo meu. Você não pode me negar. Eu sei dos seus segredos mais antigos. Sei de tudo mais escondido que possa haver em você. Não, eu não te conto. Nem por nada eu te conto. Tu me és, e eu te sou: essa é a certeza que eu cheguei."


Esse texto é parte do meu livro titulado: O diário de um G...
Um livro imprevisível, sem e com intenssões. Gostaria que o leitor soubesse que os textos editado no livro "diário de um G..." foram escritos como relatos diário, nada mais que isso. Com o tempo se tornaram parte de mim.

Obrigado!