domingo, março 06, 2005

Instante e Eu

Diário de um G... (Escrito em: 15-02-2004)

Poderia ser demais pedir para o Deus que me criou, ter você pra mim. --- Mais uma vez sinto que... que essa vai ser a última sensação que irei sentir em vida. --- Não consigo te entender, parece tão complicado: como todos os seres do sexo masculino e, como todos eles, bastante atraentes. Se... se eu pudesse ter-te, não por um só instante, mas por vários instantes. Daria tudo, tudo o que posso dar a alguém que me mereça, não que eu esteja me lisonjeando. É que quando te vejo procuro algo pra te dizer e quem sabe acalmar meu coração. É uma necessidade de te possuir que me deixa excitado: não que eu tenha apenas desejos sexuais, mas é que queria ter você por inteiro. O medo que eu sinto é o de uma pessoa que estar preste a morrer e não sabe. Não sei o que pode acontecer agora que ele já sabe de tudo; parece que tudo estar contra mim, não tenho certeza ou não quero ter, mas parece que Hilda decidiu mudar de opinião e tentar algo com ele; só de pensar já sofro em desespero interno. Vida e morte foram minhas e eu talvez tenha escolhido a morte, talvez esse seja o destino de quem ama de verdade. Eu prometo: nunca, nunca atrapalhar nada que o destino nos submeta, eu prometo mesmo sem ter a quem. --- É, promessa sim deve ser a última coisa praticada por alguém que morre em vida. Sei que há algo mais que o desejo, pois meus olhos lagrimejam. No amor estamos submetidos a coisas que nunca imaginamos, mas a gente tem que se mostrar feliz. Tenho medo de cansar amor; cansar de esperar. Faço tudo por um só beijo teu. Tenho que viver como alguém que só espera um novo amor. Mas sei que sempre vou lembrar de você. Tenho coisas tão minhas que, mesmo que soubesse falar, talvez, você nem quisesse ouvir. Apesar de tudo, amanhã é um novo dia. Se um dia eu tiver a chance de te ter você vai pagar com juros todo esse tempo. Quero morrer com vida. Juro que só morrerei lucrando o último instante. Há uma prece profunda em mim que vai nasce, só não sei quando. --- Fiquei de repente tão aflito que sou capaz de dizer fim e acabar com o que te escrevo, é mais na base de palavras cegas. Estou precisando. Estou precisando mais do que a força humana. Pois sou forte, mas também destrutivo. --- Que música linda escuto no profundo de mim. --- Vou continuar a escrever: não mexo no que escrevo esse é o único modo de não haver desconfiança entre o instante e eu.
Como o amor leva a morte? Eu não compreendo o que digo. Mas vou confiando na minha incompreensão que tem me dado vida liberta do entendimento. Não entendo porque o amor leva a morte. Hoje a noite vou te encontrar --- e vendo tua foto decido: --- Não te falarei sequer nisso que escrevo e que contém o que sou e que te dou de presente sem que tu leias. Escrevo-te porque não chegas a me aceitar como sou. Para te escrever é como se antes eu me perfumasse todo. Eu te conheço todo por te viver todo. Em mim é profunda a vontade de te ter. Eu vou morrer: há esta tensão como a de um arco preste a disparar a flecha. O arco pode disparar a qualquer instante e atingir o alvo. Sei que posso atingir o alvo. Minha história é viver. E não tenho medo do fracasso. Que o fracasso me aniquile. Quero deixar a rua me levar, e quero a glória de poder errar. É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Dificílimo contar: Olhei para você fixamente por uns instantes. Tais momentos são meus segredos. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade. Eu amo de lado; --- lugar onde a luz não clareia. E falo bem baixo que te amo para que meus ouvidos sejam obrigados a ficar atentos e a me ouvir. O destino nos proporciona alguns instantes que são únicos e não devemos abrir mão. E eis que sinto que em breve nos separaremos. Minha verdade espantada é que eu sempre estive só e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha verdade que não sei usar. Quem não é só não conhece o que é amor. Sou só e tenho que viver momentos íntimos que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver. Para cada um de nós --- em algum momento perdido na vida --- anuncia-se uma missão a se cumprir. Mas eu não, não cumpro nada: apenas vivo in-tem-as-men-te. Sim, todo amor é sagrado, seja ele qual for. "Vou te dizer uma coisa: não sei amar nem melhor nem pior do que faço." Eu amo e escrevo é tudo o que posso, e que você, por algum motivo muito seu, me permite. Gostaria de sentir uma felicidade e torna-la eterna, nem que fosse eterna por um instante. "Tudo acaba, mas o que eu te escrevo continua. O que é bom, muito bom. O melhor ainda não foi escrito, o melhor estar entre esta linha e a anterior. Olha pra mim e me ama. Não: tu olha pra ti e te amas. O que quero agora escrever? Quero alguma coisa tranqüila e sem modas." O amor que te falo continua e estou enfeitiçado. Não quero te forçar a nada, numa espécie de pressão psicológica; quero apenas fazer o que todo apaixonado faz: tentar comover pelo que é real e verdadeiro. E nunca, nunca tente reproduzir isto que te escrevo, pois isto é o mais puro que existe em mim. te amo e mais nada...